Eu não sei quem escreveu o roteiro da minha vida no tópico “mudança de casa”, mas pensando que nos últimos 5 anos morei em 8 casas diferentes, tenho vontade de gritar: páááára! 😂
Essa última mudança mexeu muito comigo porque foi a única não programada e não desejada. Eu havia voltado a morar no apto em que escolhi sete anos atrás e estava vivendo e trabalhando lá, em paz. E era bom acordar no lugar em que a gente gosta e se sente segura. Vivia eu, Gal e a agenda de aulas de costura no mesmo espaço. ✂️
Quanto a quarentena se instalou, eu compreendi que a programação dos cursos estaria suspensa por tempo indeterminado (alô, vacina?) e que seria insustentável pagar as altas contas mensais de forma segura sem estar trabalhando ativamente. Fiquei mto mal, chorei bastante e decidi, então, empacotar tudo e procurar outro lugar mais econômico para viver.


Uma casa que caiba no bolso
Procurar casa (quando se tem limites financeiros) é sempre um caos, principalmente porque em SP as pessoas abandonam os imóveis às traças ~já que é pra aluguel~ e o que mais acontece é visitar um imóvel e ficar chocada com o preço que cobram x o ambiente que oferecem.
Geralmente terríveis 🙁.
Nesse meio tempo recebi uma indicação de uma casa (alô, Alê!) que se encaixava nas características que eu procurava: ambientes maiores, dois quartos, quintal, rua tranquila, preço ok. A proposta de ter um quintal com terra e mato foi muito atrativa em tempos de isolamento social, afinal ter onde pegar um solzinho e andar fora da casa pareceu muito saudável. Também imaginei que a Gal iria amar estar na terra, já que é uma gatinha muito selvagem e caçadora.
A corrida até o cartório foi tensa (foi bem naquele período que todo mundo se trancou em casa pra valer) e parecia que o álcool gel e a máscara eram insuficientes: impossível não ter medo de andar nas ruas com tanta tensão no ar em uma cidade quase toda fechada.
Documentos entregues para a imobiliária, a busca de um guarda móveis para deixar minhas coisas, mini mudança para o apto de uma amiga como lar temporário até a casa estar vaga e torcida imensa para que os documentos fossem aprovados. Assim digeri essa escolha e me despedi do apto em silêncio.





Agora, depois de dois meses, onde tudo já foi reorganizado e aparentemente está no lugar, consigo ver pontos super positivos desta mudança. Eu já ia dizer que a alegria da Gal em poder andar na terra todo dia, subir nas árvores e rolar nas folhas secas é ponto mais alto, porém, assumo: não ter contas altíssimas na cabeça e uma auto-cobrança de “como vou dar conta disso este mês” tem sido o maior ganho.
Foi como ter tirado uma mochila de pedras das costas.
O ofício e as costuras
Só o trabalho que ainda não se encaixou num formato bom (se é que isso existe). As aulas presenciais foram suspensas, as aulas online se esvaíram com minha mudança – e confesso que não me adaptei ao formato do jeito que estavam sendo – e ainda não retomei os trabalhos com encomendas de roupas.
Hoje foi um dia em que acordei com vontade de fazer tudo isso: reabrir um ateliê, botar as encomendas pra rodar, retornar as aulas, fazer novos vídeos e seguir. Mas essa falta de vacina e a incerteza dos cuidados de saúde ainda me deixam com um pé atrás e acho prudente não tomar nenhuma decisão agora, principalmente se incluirem aluguéis, contratos e outros custo$. Por enquanto, vou focar em editar os vídeos do curso e retomar o dialogo com as alunas que eu tinha e as abandonei.
Frequentemente olho pra trás e analiso as escolhas que fiz: parece que corri de um naufrágio e tentei salvar o que deu. Lembro dos projetos que estava desenhando láááá no início de Fev junto com a Debora da Oliva e fica nítido que foi uma rasteira atrás da outra e quase nada seguiu como desejado. Ainda assim, a vida é como um GPS que se reorganiza partindo do temos hoje.
A questão talvez seja respirar e ter alguma paciência pra superar este banho de água gelada na cabeça, lembrando que a gente não tem controle de nada, nunca.
Por agora, sigo observando os prazos da vacina, vendo como outras instituições de aulas estão planejando reabrir e desejando um futuro seguro sem um vírus invisível.
Bom final de semana pra vocês,
Pat
obs. este post é a transcrição de um exercício que estou fazendo e aproveitei pra postar aqui e ver como está o funcionamento do blog novo. Ainda um pouco desconfigurado, mas logo tudo se ajusta e então voltarei com o conteúdo de costura. 🤓
Patricia
Amo a forma que vc escreve, como conta as coisas, vc descreve coisas que muitas sentimos mas n todas confirmam…. Sinto sorriso e tensão em tuas palavras, tudo passa Paty, tudo muda, tudo esta sempre em mudança…
Patricia Cardoso
PatriciaGente que comentario mais lindo <3
Me pegou num momento de irritação, até me acalmou. Obrigada
Nayamim Moscal
Já tinha um tempinho que eu não lia seus posts do blog. Zero surpresa que continuam sendo belas crônicas, que me trazem aquela pequena alegria em se ler um texto com o qual nos identificamos, ainda que eu não tenha me mudado rs.
O site tá lindinho! Beijos